Nota Técnica – Risco de glaucoma e perda de visão associados ao uso de corticosteroides: alerta e recomendações da SBG

  1. Contextualização

O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo¹, caracterizando-se por uma neuropatia óptica progressiva frequentemente associada à elevação da pressão intraocular (PIO).

Estimativas epidemiológicas globais indicam crescimento expressivo da doença nas próximas décadas. Projeções sugerem que aproximadamente 111,8 milhões de pessoas serão portadoras de glaucoma em 2040². Dentre esses indivíduos, estima-se que cerca de 11 milhões apresentem cegueira bilateral decorrente da doença³, configurando importante problema de saúde pública, com impacto direto sobre os sistemas de saúde e previdência social, em função da incapacidade laboral e dependência funcional associadas à cegueira.

Entre as causas secundárias do glaucoma, destaca-se o uso de corticosteroides, particularmente na forma tópica oftálmica (colírios e pomadas), principal via associada à elevação da PIO. Embora outras vias também possam contribuir para o aumento pressórico, o risco é significativamente maior no uso tópico ocular, sobretudo quando prolongado ou sem acompanhamento oftalmológico adequado.

Destaca-se, ainda, a relevância dessa condição na população pediátrica, na qual o uso de corticosteroides pode levar a elevações pressóricas expressivas, frequentemente de forma silenciosa, com risco elevado de dano estrutural precoce e comprometimento visual permanente⁴.

Além do risco de glaucoma, o uso de corticosteroides está associado ao desenvolvimento de catarata⁵. Esse efeito pode ocorrer tanto em adultos quanto em crianças, inclusive em doses terapêuticas, sendo mais frequentemente observado após uso prolongado.

No contexto da saúde pública, a catarata induzida por corticosteroides constitui uma causa potencialmente evitável de deficiência visual, frequentemente relacionada ao uso inadequado ou
sem monitoramento dessas medicações. Embora seja passível de tratamento cirúrgico, sua ocorrência implica aumento da demanda por procedimentos oftalmológicos, com impacto direto sobre custos assistenciais, além de repercussões funcionais para o paciente, particularmente em populações vulneráveis e com limitado acesso a serviços especializados.

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